De que lado?
Nossa humanidade. Pasma. Cansada. Levada ao mínimo da condição reconhecida de cada um. O ruim fica pior e o pior piora. Essa é a perspectiva vivida por todos. Para baixo, continuamente. O que muda é a sorte de cada um, o que varia é o humor, o jeito de levar. E só.
Acha que adianta falar sobre isso? Acha que adianta revoltar-se, gritar com o vizinho, ir aos jornais, mandar email indignado para todos os contatos da caixa postal, sair pela rua em protesto? Ou sua sorte é que vai mal no momento? Ledo engano, figuramos nas estatísticas de encarecimento da vida no planeta, do aumento gradativo do desemprego, da desigualdade e do empobrecimento humanos. Tudo vira estudo, notícia. E só.
É uma falação descontrolada na busca de caminhos inexistentes. É um tal de especialista analisando "quadros". Querem acalmar a manada? Nós, essa manada? Os amigos se desentendem, se endividam, as famílias se corroem. Os patrões abusam. Boas posições são para os que vendem suas almas diariamente. Vendem sim. E só.
Hoje é preciso nascer ou tornar-se vendedor, de si, do outro, de produto. Hoje é preciso admirar o consumo, as grandes corporações, a publicidade milionária. Hoje é imprescindível pensar em si mesmo, no bem-estar próprio. Pois o tempo que sobra para o mais, passa na comiseração de um olhar. Esó.
Para ser considerado, procurado, bajulado, precisa-se apenas terdinheiro, não importando a proveniência do mesmo, nem o grau de parentesco com os mais sórdidos. Está consumindo? Perfeito. Jovem, bonito e magro, o diabo frequenta os melhores lugares do mundo; sempre recomendado, citado, esperado e muito bem tratado. E só.
Não importa quem somos, importa o que parecemos. A matéria é real e a penúria, seja ela de qualquer natureza, é escondida até não se poder mais esconder. Infelicidades, desilusões e desesperanças são tratadas com barbitúricos. Escândalos são tratados com glamour e u quê de notoriedade. A pobreza não é tratada. E só.
Vida maravilhosa. Mundo fantástico. Humanidade bela! Agora queremos viver mais e por mais tempo. Temos tecnologias inacreditáveis até para o que não se precisa. E quem paga a conta? Que conta? Podemos tudo. Reinamos no mundo. Somos os tais. Os tais. Nós somos os tais. E só.

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